Espinheira Santa

A espinheira-santa tornou-se conhecida no mundo médico em 1922 quando o professor Aluízio França, da faculdade de medicina do Paraná, relatou o sucesso obtido com ela no tratamento da úlcera. Entretanto, muito antes disso a planta já era famosa na medicina popular por suas propriedades curativas, e não só no combate aos males do aparelho digestivo. A espinheira-santa ganhou esse nome justamente pela aparência de suas folhas, que apresentam espinhos nas margens e por ser um “santo remédio” para tratar vários problemas. Deve-se ter cuidado com troca de espécies, muito comum com plantas que são oferecidas como M. ilicifolia. Seu tratamento não deve ultrapassar 30 dias ininterruptos.

Nome Científico:

Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch.

Nomes botânicos:

Maytenus ilicifolia fo. angustior Briq., Maytenus officinalis Mabb. (antigo nome: Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek), Maytenus ilicifolia var. boliviana Loes.

Nomes Farmacêuticos:

Mayteni folium.

Partes usadas:

Folhas, casca, fruto e raiz.

Composição Química:

Ácidos tânico, clorogênico, maytenóico, salasperônico, salicílico, d-amirina, taninos (4′-metil epigalocatequina e seu epímero 4′-metil-ent-galocatequina), ansamacrólidos tipo maitanosídeos, glucosídeos, triterpenos quinóides e dímeros (maitensina, maitomprina, maitambutina, atropcangorosina A, pristimerina, isopristemerina III, tingenona, isotingenona III, congoaronina, congorosina A e B, friedooleanan-5-en-3, b-29-diol D, friedooleanan-29-ol-3-ona D, ilicifolina, maitenina maitanbutina, maitolidina), diterpenos (dispermol, maitenoquinona), lactonas (maitanprina, maitansina), cafeína, polifenóis flavonóides (quercetínico e kaempferólico), substâncias nitrogenadas, carotenóides, óleo essencial, mucilagens, açúcares livres, sais minerais (ferro, enxofre, sódio, cálcio) e resinas, triterpernos friedelina, friedelanol, lupeol, lupenona, simiarenol, beta-amirina, beta-sitosterol, estigmasterol, campesterol, ergosterol, brassicasterol, a-tocofenol, esqualeno, ácido hexadecanóico, terpenóides (maitesina), maiteno, leucoantocianinas, proantocianinas. As sementes contêm 10 a 12% de óleo fixo. O conteúdo de taninos pode chegar a 4,6%.

Indicações para uso interno:

Sistema Gastrointestinal: elimina gases, gastrite crônica, fermentações gastrointestinais, azia, vômitos, irritações e atonia gástrica, gastralgias, anticancerígena em tumores do tubo digestivo em especial estômago e esôfago, para dor estomacal e visceral, distensão abdominal, esofagite de refluxo, hérnia de hiato, adenocarcinoma gástrico, dispepsias inespecíficas, esofagite, tumores malignos no aparelho digestivo, evita ressecamento das fezes, diminui acidez estomacal, provoca aumento do pH do conteúdo gástrico e também paralisa fermentação do tubo gastrointestinal.

Sistema Urinário e Genital: estimula fertilidade, sífilis e na hiperprolactinemia.

Sistema Hepático: males hepáticos e hepatite.

Sistema Cardíaco, Sanguíneo e Circulatório: depurativo do sangue.

Sistema Renal: nos males renais,

Outros distúrbios: em fraqueza, o uso frequente ajuda no combate ao alcoolismo e alivia casos de intoxicação alcoólica e ainda em casos de dipsomania.

Indicações para uso interno de partes específicas da planta::

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Indicações para uso externo:

Pele e unhas: doenças de pele em geral, feridas e infecções.

Indicações para uso externo de partes específicas da planta:

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Aromaterapia:

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Relacionado com as seguintes categorias das ervas medicinais:

Categoria 2 – Ervas para calor excessivo dentro do corpo • Categoria 6 – ervas para lubrificar os sintomas secos • Categoria 9 – Ervas para promover a digestão • Categoria 16 – Ervas para corrigir deficiências (fluidos corpóreos) • Categoria 19 – Ervas para úlceras e tumores • Categoria 20 – ervas para aplicações externas •

Uso homeopático:

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Pets e outros animais:

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Informações em outros sistemas de saúde:

Utilizada como remédio antitumoral entre os índios brasileiros. No Paraguai, a população rural a emprega como contraceptivo. Na Argentina, como antiasmático e antisséptico. Na medicina popular, a espinheira-santa é famosa no combate à úlcera e outros problemas estomacais.

Indicações energéticas ou mágicas:

Acredita-se que esta erva tem atuação sobre o 3º chakra. Planta associada à Iemanjá, nos cultos Afro-Brasileiros.

Nome Conhecido:

Cancerosa, Cancorosa, Cancorosa-de-sete-espinhos, Cancrosa, Cangorça, Coromilho-do-campo, Erva-cancerosa, Espinho-de-Deus, Espinheira-divina, Limãozinho, Maiteno, Marteno, Pau-josé, Sombra-de-touro, Cominho-do-campo, Congorosa (Português), Yerba del toro, Cangorosa, Mayte, Salva-vidas, Quebrachill e Pus pus (Espanhol).

Família:

Celastraceae.

Sabor:

<p>Doce, amargo e neutro.</p>

Propriedades medicinais gerais:

Colagogo, diurético, antiasmático, eupéptico, laxativo, adstringente, antiácido, analgésico, antiespasmódico, antidispéptico, anti-inflamatório, antisséptico, antitumoral, aperiente, balsâmico, carminativo, cicatrizante, contraceptivo, desinfetante, digestivo, emenagogo, febrífugo, estomáquico, sialagogo, tônico, vulnerário, anticancerígeno, antitóxico, hepático.

Propriedades medicinais de partes específicas da planta:

Casca – antiulcerogênico.

Para crianças:

É desaconselhado o uso pediátrico.

Quando não devemos usar esta erva (contraindicações:

Seu uso prolongado pode causar redução de leite em lactantes.

Não usar em crianças e suspender imediatamente em casos de hipersensibilidade. Pode provocar contrações uterinas. Evitar uso na gestação.

Interações medicamentosas:

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Toxicidade:

O extrato aquoso é abortifaciente em ratas grávidas (100mg/k g i.p.) e citotóxica em células Leuk-P 388, CA9kb e V79. A administração por via oral de infusão e liofilizados de folhas, não mostrou qualquer efeito tóxico em doses de até 1.600 vezes superiores aquelas recomendadas. Somente na administração intraperitoneal, observou-se alguns efeitos sobre o SNC, como um estado depressivo geral (Oliveira M, 1991). Porém, a maitenina provocou alguns quadros de dermatites localizadas quando administrada via intradermica (Ferreira de Santana C., 1971). Foram observados casos de hipersensibilidade em um grupo reduzido de pessoas.

Uso culinário e nutritivo:

Não há relatos nas fontes de pesquisa consultadas.

Sistemas Florais:

Florais da Amazônia: apresenta efeito balsâmico e refrescante que se reproduz no plano sutil, trazendo harmonia e calma para vencer os obstáculos da realização. Esta só poderá ocorrer em todos os níveis se o ser se liberta dos conflitos e aceita a “paz e a integridade como condições naturais da vida”. Com isso, é possível sintonizar com o caráter sagrado de tudo que existe e o “eu que realiza” cumpre o seu papel.

Medicina Chinesa (MTC):

Indicada para deficiência do Yin do Estômago e do Fígado, para fleuma-umidade-calor e calor tóxico no Estômago. Elimina invasão de vento-calor e de vento-frio. Regula o Qi e estimula a digestão. Erva substituta da fórmula magistral chinesa: Jian Pi Wan. Atua nos canais do Estômago e Baço/Pâncreas.

Ayurveda:

Erva que reduz Pitta e Vata e agrava Kapha. Para condições de Pitta Nirama. Sua rasa é doce e amarga, sua virya é fria e sua vipaka é doce.

O que diz a ciência:

A planta tem sido alvo de estudo como anticancerígena. Uma pesquisa prévia revelou que a erva possui compostos antibióticos (maitesina e maiteno), com potente ação antitumoral, especialmente contra a leucemia. Na Universidade Estadual de Campinas (SP), farmacologistas analisaram a planta em ratos com úlcera e, segundo os pesquisadores, “nos que tomaram o seu extrato, o tamanho da lesão diminuiu muito rapidamente e, em comparação com os remédios convencionais, espinheira-santa provoca menos efeitos nocivos”. A pesquisa prossegue, para determinar qual é o componente exato do vegetal responsável pelo efeito medicinal.  Em estudo realizado pela UFMG, foi pesquisado o efeito da 4´ – o- metil-epigalotequina extraída das folhas da espinheira-santa sobre a secreção gástrica de ácido induzida pela histamina. Os resultados confirmaram que os taninos da espinheira-santa reduzem a secreção basal de ácido clorídrico, assim como a secreção induzida por histamina. Em pesquisas sobre o efeito antiulceroso de frações hexânicas das folhas da espinheira-santa, verificou-se que a fração hexânica bruta na dose de 4mg/Kg foi efetiva em prevenir úlcera induzida por indometacina, semelhante ao efeito da cimetidina. Os triterpenos friedelina e friedelanol foram responsáveis por 50% da eficácia. Os princípios 4’-o-metil-epigalotequina e seu epímero 4’-o-metil-ent-galocatequina inibiram a secreção de ácido em mucosas gástricas isoladas de rãs de forma dose-dependente em concentração de 0,35mg%. Os flavonoides têm ação anti-inflamatória. Em outro estudo realizado na UFMG, em que se pesquisou o envolvimento da histamina no mecanismo de ação do extrato bruto da espinheira-santa, verificou-se que em mucosas gástricas de rãs isoladas e incubadas em câmara hiperbárica ou em câmara de Ussing com solução de Ringer, o extrato bruto da espinheira-santa (ES) na concentração 5,6 mg% (na câmara hiperbárica) a 14mg% (na câmara de Ussing) reduz a secreção gástrica de H+, paralelamente, observou-se que o estrato bruto de ES também inibe a secreção estimulada pela histamina somente lado seroso da mucosa gástrica. A cimetidina (10?M) e o extrato bruto de ES (7mg%) isoladamente não inibiriam a secreção gástrica de H+ , no entanto quando foram associados, inibiram a secreção de H+ no lado seroso da mucosa gástrica. Os resultados sugerem que o extrato bruto de ES inibe a secreção de H + e que envolve a participação de mecanismos relacionados à histamina. Experimentos realizados na Escola Paulista de Medicina (Unifesp) demonstraram o efeito antiulcerogênico das infusões de Maytenus ilicifolia e Maytenus aquifolium, administrados via intraperitoneal e oral em ratas com úlcera gástrica induzidas por indometacina e por situações de stress físico. Finalmente, já se foi comprovado o efeito tranquilizante, além de potencializar o efeito dos barbitúricos sobre ratas com extrato aquoso, em doses de 170 mg/kg.

Astrologia:

Erva utilizada em tratamento para distúrbios relacionados ao trânsito da Lua em Virgem, Mercúrio em Câncer, Marte em Câncer, Júpiter em Câncer, Saturno em Câncer, Urano em Câncer, Plutão em Câncer. Seu regente é Saturno.

Habitat:

Na América do Sul, no Brasil desde os estados de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. É encontrada ao longo do Rio Paraná, e nas pastagens. A ocorrência é mais generalizada em sub-bosques úmidos, beiradas de matas de araucária, capões e em matas ciliares onde o solo é rico em matéria orgânica, com umidade de média à alta. Em Santa Catarina, é encontrada principalmente no Planalto e na mata Atlântica de altitude.

Descrição da planta:

Planta perene com caule muito ramificado com estrias longitudinais que a diferenciam das outras espécies do gênero. As folhas são simples, alternas, coriáceas, glabras, margens com vários pares de dentes espinhosos e ápice agudo. O número de espinhos dos bordos foliares é sempre ímpar (5, 7 ou 9), raramente com os bordos lisos.

Flores muito pequenas, amarelas ou branco-esverdeadas. Fruto tipo cápsula ovoide.

Vamos plantar?:

O solo ideal de cultivo é aquele com bom teor de matéria orgânica, argilosos e bem drenados. Usar na cova de plantio cerca de 3 kg de adubo animal de curral bem curtido e composto orgânico.

Tutorar a muda para que se desenvolva ereta. Regar após o plantio e nos próximos dias, depois espaçar as regas.

A propagação também poderá ser feita por sementes, colocando-as em substrato preparado de areia e terra, já nos sacos de cultivo. Semear, regar e cobrir com plástico até a emergência. Deixar em viveiro protegido.

Após a emergência colocar composto orgânico misturado a adubo animal bem curtido. Regar.

A melhor temperatura para a germinação fica em torno de 20 a 30ºC.

Semear na primavera e somente levar para canteiro com 4 meses.

O espaçamento recomendado é de 1,0 a 2,50 m, para bom desenvolvimento da copa.

A adubação de reposição deverá ser feita anualmente no inverno.

As regas devem ser regulares e frequentes até os 2 primeiros anos, depois somente em épocas de estiagem.

Fontes de pesquisa utilizadas:

http://www.plantamed.com.br/ • https://www.fazfacil.com.br/jardim/espinheira-santa-cancorosa/ • http://www.floraisdaamazonia.com.br/pt/?page_id=1193 • http://ervaseinsumos.blogspot.com/2009/03/espinheira-santa.html • http://www.omelhordanatureza.com.br/extratos/espinheira-santa-maytenus-ilicifolia • http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias.php?noticiaid=7906&assunto=Medicina%20Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura •  La vuelta a los vegetales – Carlos Hugo Burgstaller Chiriani – Hachette • As plantas e os planetas – Ana Bandeira de Carvalho – Ed. Nova Era • Coleção de plantas medicinais aromáticas e condimentares – Mery Elizabeth Oliveira Couto – Embrapa • Plantas que curam – Enio Emmmanuel Sanguinetti – Editora Rigel • Fórmulas Mágicas – Dr. Alex Botsaris – Ed. Nova Era • ITF – Índice Terapêutico Fitoterápico – EPUB • Yoga of Herbs – Dr. David Frawlwy and Dr. Vasant Lad – Lótus Press • Apostila Fito Chinesa II – Prof. Antonio de Bortolli – Delta Educação • Apostila – As 40 Ervas Medicinais do Método 40-20 – Rodrigo Silveira – Ervanarium •