Nome Popular: Guaco

Mikania é um gênero de cerca de 450 espécies da família das Asteraceae. Os membros do gênero são troncos e cipós comuns nas floras neotropicais. Mikania cordifolia e M. glomerata são duas espécies do Brasil usadas sem qualquer distinção entre as duas espécies, que são apenas referidas como guaco. Ambas têm longa história de uso pelos habitantes da floresta. Age sobre a pele formando uma película ou filme protetor quando utilizado externamente. 

Outros nomes: cipó-caatinga, erva de sapo, sucurijú, cipó-catinga, cipó-sucuriju, uaco, coração-de-jesus, erva-de-cobra, erva-cobra, guaco-liso, guaco-de-cheiro, guaco-trepador, guaco-verdadeiro, erva-cipó, guape, micânia, uaco, guaco (espanhol), guaco (francês), guaco (inglês), guaco (italiano), bejuco de aradores, bejuco de finca, bejuco de la estrella, cepú, erva das serpentes, guace, guaco morado, guako (dinamarquês), guasca, herba capitana hoja de guaco, huaco (alemão), huaco huanchohuisacha (peru), huanchohui sacha (peru), lewe epit, liane francois (francês haitano), liane sor francois (haiti), matafnca radie grage, radie serpent, toxichec cimmarón (méxico), vedolín, verdolín, wape, yamaka hunami, zerb’ grage.

Nome científico: Mikania glomerata Spreng.

Nomes botânicos: Willoughbya glomerata (Spreng.) Kuntze., Mikania glomerata var. montana Hassl., Cacalia trilobata Vell., Mikania amara Willd. var. guaco (Humb. & Bonpl.) Baker, M. hederaefolia DC., M. olivacea Klatt, Mikania cordifolia,

Família: Asteraceae.

Partes usadas: folhas (preferencialmente as mais jovens.), planta florida fresca ou seca.

Sabor: picante e amargo.

Constituintes químicos: óleo essencial rico em: resinas, taninos, saponinas, guacosídio, diterpenos e sesquiterpenos (cineol, borneol e eugenol), substância amarga (guacina, cumarinas, guacosídeo), ácido caurenóico, ácido isobutiriloxi caurenóico, heterósida, ácido cinamoilgrandiflórico, ácido entkaur-16-eno-19-óico, ácido namoilgrandiflórico, ácido estigmast-22-en-3-ol, estigmasterol, flavonoides, esteróis.

Propriedades medicinais: antiasmático, antiespasmódico, antigripal, anti-inflamatório, antimicrobiano, antinevrálgico, antiofídico, antirreumático, antisséptico (das vias respiratórias), antitussígeno, aromático, bequico, bronco dilatador, calmante, cicatrizante, conservante, depurativo, emoliente, estimulante, estomáquico, expectorante, febrífugo, hepatoprotetor, , peitoral, sedativo, sudorífero, tônico, diurético, febrífugo, emoliente, mucolítico, descongestionante, antitóxico, antialérgico, antitérmico, abortifaciente, antiaderente, anti-histamínico, antimalárica, antissifilítico, antiulcerativo, canditicida, diaforético, inibido da Metaloprotease, orexigênico, protisticida, inibidor da serineprotease, estomáquico, vermífugo, emenagogo, laxativo, hipotensivo, emético, hepatoprotetor, adaptogênico.

Propriedades medicinais de partes específicas da planta:

Folhas: hipotensor (folhas frescas).

Indicações (Uso interno): elimina ácido úrico, para afecções do trato respiratório, na albuminúria, para ansiedade, artrite, asma, bronquite, coqueluche, febre, gota, hemiplegia (paralisia de um lado do corpo), inflamação de garganta, inflamações intestinais, insônia, malária, nevralgia, resfriado febril, reumatismo, sífilis, tosses rebeldes, úlceras, tosse com muco, sinusite, gripe, resfriado, artralgias, afecções pulmonares, rouquidão, nas afecções respiratórias em geral, alergias respiratórias, alergias em geral, para auxiliar tratamento de câncer, na candidíase, cólera, cólica, constipação, diarreia, dismenorreia, disúria, enterite, gastrite, hepatite, pressão alta, hidrofobia, histeria, nas infecções, laringite, oliguria, faringite, pleurasia, reumatismo, garganta dolorida, nos espasmos, para dor de estômago, estomatite, sífilis, tétano, tonsilite, triconoma, tripanossoma, tumores, úlceras e eliminação de vermes.

Indicações (Uso externo): para dermatites, eczema pruriginoso, manchas de pele, micoses, picada de insetos e cobra, nos pruridos, para rouquidão, feridas, cortes, contusões, mordida de cachorro, edema, coceira, periodontite e caspa.

Utilizações étnico-culturais: a população indígena e cabocla utiliza a erva como antitóxica para veneno de cobra. Eles preparam chá com as folhas e consomem por via oral, bem como aplicam as folhas ou o suco do caule em compressas diretamente sobre a picada de cobra. Tribos da floresta tropical da Amazônia utilizam a haste da folha esmagada topicamente sobre picadas de cobra. Fazem infusão de folhas como curar a febre, desconforto gástrico e para o reumatismo. Os povos indígenas da região amazônica na Guiana aquecem as folhas para colocar em erupções e coceiras na pele. Várias tribos indígenas também acreditam que ao esmagar as folhas aromáticas frescas e deixá-las em torno das áreas de dormir, o aroma picante irá afastar as cobras. Por esta razão e por causa de sua longa história, ganhou o nome em sistemas de medicina de ervas como “cobra cipó” e “erva cobra”. Nativos americanos e colombianos acreditam que o guaco foi nomeado após uma espécie de ritual. A tradição determina que a planta tem poderes como um antídoto para atacar as cobras. Qualquer planta entrelaçando com folhas em forma de coração, branco, verde e roxo, é chamada de guaco por nativos americanos, o que não necessariamente coincide os verdadeiros guacos. Afirma-se que os nativos da América Central, depois do guaco, conquistaram imunidade das cobras mais perigosas, que se contorcem nas mãos, como se tocadas por um ferro quente. 

Contraindicações: devido às cumarinas, é contraindicado para pessoas com hepatopatias, trombocitopenia e coagulopatias. Contraindicada para pessoas que usam anticoagulantes ou heparina, pois aumenta o risco de sangramento. Não é indicada para menores de um ano de idade e mulheres durante a menstruação. O uso excessivo pode causar taquicardia, vômitos e diarreia. Podem ocorrer acidentes hemorrágicos, quando usado por tempo prolongado.

Interações medicamentosas: por ser rica em cumarinas, interfere na coagulação sanguínea. Antagoniza com a vitamina K.

Habitat: nativa da América do Sul, surge espontaneamente na Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, especialmente nas regiões sul e sudeste.  Espécie autóctone que cresce espontaneamente em matas primárias, capoeiras, capoeirões, orla de matas, terrenos de aluvião, em várzeas sujeitas à inundação e à beira dos rios. É encontrada desde 50 a 500 m de altitude.

Informações clínicas e/ou científicas: existem estudos demostrando que, quando o Guaco é plantado em pleno sol, o seu teor de princípios ativos diminui.  Raul Coimbra escreveu o primeiro artigo validando o uso do guaco como droga expectorante de ervas em 1942. Em um estudo de 1984, voluntários humanos receberam uma folha de chá guaco e pesquisadores relataram os efeitos contra tosse fortes. Outros pesquisadores brasileiros publicaram trabalhos sobre os efeitos anti-inflamatórios do extrato de folhas de guaco, em 1992. Em 2002, um grupo de pesquisa do Brasil informou que os extratos de folhas de Mikania glomerata inibiu significativamente as contrações histamina e evidenciou um efeito relaxante da traqueia (garganta) em cobaias, reduzindo significativamente o inchaço, edema e vasoconstrição em ratos injetados com veneno de cobra. A inflamação foi reduzida em cerca de 80%. O extrato da Mikania cordifolia demonstrou atividade antiprotozoário muito forte contra o Trichomonas vaginalis e o Trypanosoma cruzi, sendo considerado um dos extratos vegetais mais fortes para a finalidade. Em outra pesquisa, foi relatada ação antibacteriana in vitro contra a Candida albicans. A folha de guaco é uma fonte significativa de cumarina, substância utilizada para produzir um anticoagulante comumente utilizado para diluir o sangue, semelhante ao medicamento Cumadin. Os efeitos anti-inflamatórios da erva são atribuídos em parte a cumarina. Pesquisas realizadas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovaram os efeitos do guaco contra câncer, úlcera e afecção por microrganismo, além de prevenção da cárie e da placa bacteriana dos dentes.

Descrição botânica: planta subarbustiva, trepadeira, perene, de ramos lenhosos, cilíndricos, estriados, castanhos e glabros.  As folhas são pecioladas, arqueadas, de cor verde intenso, glabras, aromáticas, opostas, providas de contorno oval, trilobadas, membranáceas às coriáceas, de ápice acuminado e base arredondada ou subcordiforme, são aquinquinervadas na base, sendo à margem dos lobos lisa. O limbo mede 8 a 15 cm de comprimento por seis a nove cm de largura, e o pecíolo três a sete cm de comprimento. A inflorescência é do tipo panícula tirsóide que alcança 30 cm de comprimento.  As bractéolas são uninerves, lineares ou brácteas liguladas, ciliadas e de ápice agudo e oblongo. Corola infundibuliforme provido de cinco lacíneas triangulares.  O papus é composto de 30 cerdas variando de amarelo-palha a rosada.  Fruto tipo aquênio, pentangular, piloso ou levemente glabro, medindo três mm de comprimento.

Cultivo: para plantar o guaco é necessário escolher um local com clima ameno ou estufas com temperatura controlada. É um arbusto cheio de ramos e cresce semelhante a uma trepadeira, mas precisa de suporte para isso. O guaco também precisa de luz solar direta para crescer e se desenvolver bem, por isso o ideal é plantá-lo ao ar livre ou em jardineiras onde possa ser levado para tomar ar e sol sempre que necessário. O melhor tipo de solo para plantar o guaco é o arenoso e com bastante matéria orgânica. O plantio geralmente é realizado usando estacas feitas do caule da planta (o caule deve apresentar pelo menos dois nós). A plantação de guaco não precisa de muitos cuidados, sendo que não é necessário adubar frequentemente. O adubo usado deve ser o feito com húmus de minhoca. O solo deve se mantiver úmido, portanto é importante ter cuidado com a irrigação, mas é preciso ter cuidado para não encharcar o local. Assim que a planta enraizar, deve ser mudado para outro lugar que possua suporte, mas quem cultiva deve possuir o cuidado de providenciar apoio para esta planta.

Toxicidade: sem toxicidade nas doses recomendadas. O FDA lista esta planta em sua relação de plantas tóxicas. Recentes estudos de toxicidade com ratos (em 2003) confirmam que, mesmo em doses elevadas não tem quaisquer efeitos tóxicos ainda que possa causar efeitos colaterais indesejáveis com náuseas, vômitos e diarreia.

Fontes de pesquisa:

http://www.plantamed.com.br/ • http://flores.culturamix.com/informacoes/guaco-mikania-cordifolia •  http://www.cuidar.com.br/guaco • http://www.medicinanatural.com.br/guaco-mikania-glomerata/ • http://www.lemnisfarmacia.com.br/fitoterapia-%E2%80%93-guaco-alivia-a-tosse-bronquite-e-resfriados/ • Plantas que curam – Enio Emmanuel Sanguinetti – Editora Rigel • ITF – Índice Terapêutico Fitoterápico – EPUB • Anastásia Benvinda – plantas populares – Biblioteca Virtual • Plantas Medicinais – Manipulação artesanal, uso e costume popular – Angelo L. Robertina – PDF • As plantas e os planetas – Ana Bandeira de Carvalho – Ed. Nova Era • Coleção de plantas medicinais aromáticas e condimentares – Mery Elizabeth Oliveira Couto – Embrapa • Dukes Handbook of Medicinal Plants of  Latin America – James A. Duke with Mary Jo Bogenschutz-Godwin, Andrea R. Ottesen – CRC Press • Indian Medicinal Plants – C.P Khare – Springer •